Mosquito Aedes Aegypti

Mosquito Aedes Aegypti. Foto: Gathany, James. Center for Disease Control, EEUU

Há cerca de 7 meses, o Brasil apresentava ao mundo uma estratégia revolucionária no combate à dengue: mosquitos Aedes Aegypti geneticamente modificados foram liberados no meio ambiente para combater seus pares.

De acordo com a reportagem do G1:

Nos próximos dez meses, de 800 mil a um milhão de mosquitos geneticamente modificados vão ser liberados toda semana. Com base no monitoramento de armadilhas espalhadas em pontos estratégicos, vai dar para controlar melhor a soltura. O que se espera é que o “aedes aegypti do bem” desenvolva o mesmo papel dos testes feitos no interior da Bahia. No estado, em alguns pontos, a infestação foi reduzida em até 90%.

O projeto era liberar, em 10 meses, 1 milhão de mosquitos geneticamente modificados, e os testes estavam sendo feitos na Bahia. Eis que, no sétimo mês desse projeto, exatamente o mesmo mosquito torna-se vetor do Zika Virus, agora comprovadamente causador da microcefalia, exatamente no local onde foram feitos os testes iniciais com o mosquito transgênico.

A Associação Médica Brasileira descreve assim o problema:

No final do mês de março, uma doença, até então desconhecida, assustou a população de Camaçari, na Bahia. Dezenas de pessoas, com sintomas parecidos com os da dengue, procuraram atendimento médico, mas não tiveram um diagnóstico preciso. Exames indicavam que não se tratava de dengue, febre chikungunya, rubéola ou sarampo, mas também não conseguiam apontar com precisão qual patologia era.

Quase um mês se passou e mais casos foram identificados em outros municípios da Bahia, até que os pesquisadores Gúbio Soares e Silvia Sardi, do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), conseguiram identificar o responsável pela doença, através de amostras de sangue de pacientes. Tratava-se do Zika Vírus.

Os riscos do mosquito transgênico já haviam sido denunciados no Brasil. Membros da Articulação Nacional de Agroecologia já haviam “levantado a lebre” em um ato público realizado em Juazeiro(BA).

“O problema é que, primeiro, eles partem da lógica que eliminar o mosquito é o mesmo que eliminar a doença e, segundo, que ao liberar os machos podem ser liberadas também espécies fêmeas, pois o controle não é 100%, essas estariam livres para se reproduzir e não temos como saber o risco de mutações genéticas e o desequilíbrio ambiental que isso pode gerar”, alerta Gabriel Fernandes.

Parece que agora já sabemos, em parte, que tipo de mutação genética estamos introduzindo no meio ambiente. Pede-se das autoridades uma investigação séria, pois a correlação entre o local dos testes realizados com o mosquito transgênico, e o surgimento desta epidemia nos dão causa suficiente para desconfiar que o atual problema foi introduzido por ação humana.

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