Um suposto “hacker” ameaçou “jogar o nome de Michel Temer na lama” caso não lhe pagassem R$ 300 mil reais. Há algumas semanas todas as senhas da Presidência da República foram parar no Twitter, em um arquivo do Google Docs acidentalmente publicado na rede social. Jair Bolsonaro foi fotografado tendo conversas nada profissionais com seu filho, que também é deputado, no WhatsApp.

O leitor vê alguma semelhança entre essas três situações?

Tudo o que está no telefone de Marcela Temer está copiado na nuvem, nos Estados Unidos, onde os espiões tem livre e irrestrito acesso a tudo conforme denunciado por Edward Snowden (vide imagem em destaque). Tudo o que foi digitado por qualquer servidor público brasileiro no Facebook, em qualquer telefone Apple ou Android, está lá, registrado em algum lugar nos Estados Unidos.

Todos os deputados e senadores usam seus smartphones no plenário do Congresso, em suas casas, no carro, onde quer que seja. Os microfones dos smartphones podem gravar tudo, as câmeras podem filmar tudo, e os Estados Unidos tem acesso irrestrito a toda essa informação.

Qualquer pessoa que já tenha enviado um áudio no WhatsApp sabe que nem é preciso ter uma internet muito rápida para enviar áudios até longos, de vários minutos. Grampear remotamente uma conversa importante é trivial!

Imagine quantas outras conversas indiscretas de parlamentares, ministros, esposas e esposos desses, não estão armazenadas lá na nuvem, a disposição dos arapongas estrangeiros? Se aqui no Brasil o pouco que vaza, de forma atrapalhada, já faz um estrago desses, imagine o naipe das cartas que os gringos não tem na manga!

Se um rapaz de São Paulo obteve acesso a dados da esposa do presidente Michel Temer na Sta. Ifigênia, imagine o que a inteligência norte-americana não tem lá em seus armazéns de dados de trilhões de dólares da melhor tecnologia existente?

Como disse Richard Stallman, “smartphones são o sonho de Stalin”.

Facebook, Apple e Google tem acesso ao governo brasileiro inteiro, literalmente na palma da mão.

 

Imagem em destaque: um dos slides divulgados por Edward Snowden, revelando o funcionamento do sistema PRISM de espionagem global. A América Latina também é monitorada.

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