Bastante pipoca e coca-cola para acompanhar o barraco entre a Vera Magalhães e o vereador Paulo Tadeu do PT no Twitter.

O fascinante é ver a grande mídia deixando de ignorar as redes sociais. Finalmente jornalistas e políticos podem intercambiar diálogos, e farpas, diretamente entre si sem a antiga falsidade, e escudo, que havia entre os grandes veículos de imprensa e a população. Donald Trump está usando essa ferramenta com maestria. Apesar do deboche de grande parte da grande mídia, as pesquisas mostram que 50% da população americana está apoiando tudo que Trump vem fazendo. Esse é exatamente seu eleitorado, ou seja, Trump está cumprindo o que prometeu, e aqueles a quem prometeu estão gostando do resultado. Mas, filosofemos sobre mídia social em outra ocasião.

De volta ao barraco da hora, tudo começou ontem, quando Vera Magalhães publicou um tweet que dizia “Case com alguém que não vá fazer um comício no seu velório quando chegar a hora.”

Referia-se ao discurso do ex-presidente Lula durante o velório da ex-primeira-dama Marisa Letícia.

Pronto.

O tweet deu início a um verdadeiro shitstorm, para usar uma expressão norte-americana daquelas que descrevem perfeitamente o que algo é.

Internautas então levantaram quem era o marido da Vera Magalhães e a confusão estava armada.

 

Depois de um esculacho, onde chegou até a dizer que Paulo Tadeu não era homem, Vera Magalhães subitamente percebe que estava discutindo com o Paulo Tadeu equivocado.

E então os seguidores não perdoaram. Segundo um outro tweet, “Vera Magalhães é casada com o ex-repórter Otavio Cabral, titular da comunicação da campanha Aécio 2014. “

Um outro tweet menciona também a jornalista Andréia Sadi, da Globonews, e pergunta se o senador Aécio Neves é seu padrinho de casamento. O boato no Twitter é de que Andéia Sadi bloqueia todos que fazem essa pergunta. Mas nós, é claro, não testamos.

E tome mais lenha na fogueira, com alguém falando de uma tal história de estagiária da Revista Veja (????)

 

Isso aí, caros amigos, é o embate entre a política e o jornalismo brasileiros. Que os personagens hoje sejam Andréia Sadi, Vera Magalhães, Paulo Tadeu do PT (qual dos dois?), ou quem seja que fosse, acontece que política no Brasil se faz assim e é por isso que não saímos do lugar.

  • “Eu sei que tu és prima do amigo do fulano.”
  • “E eu sei que tu estás envolvido no escândalo X”
  • “Dizem que seu padrinho fez X e sabe de Y”

E por aí vai.

Propostas para o país??? Zero.

Debate de idéias, propostas, reformas necessárias? Zero.

Carga tributária? 40%

Rombo? 170 bilhões

Quando fulano é aliado ninguém denuncia. Quando é rival, descem a lenha. A população já desconfia de toda a imprensa. Blogs alternativos, principalmente aqueles que não recebem financiamento de quaisquer das partes envolvidas, ganham espaço, e assim temos uma chance de ver o nível do debate se elevar.

Porque se o Brasil não mudar, quem vai pagar a conta desse rombo trilionário que está se formando? Adivinhe.

 

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Foto: Gabriel Vinicius Cabral / Wikimedia Commons

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