Há décadas os cientistas vem estudando formas de eliminar as bactérias e outros micróbios de certos ambientes, em especial nos ambientes hospitalares e em restaurantes. Durante muito tempo, plantas medicinais eram usadas nos hospitais como purificadores de ar. A arnica, por exemplo, era comúm nas tendas de campanha onde eram tratados soldados feridos na I Guerra. Próximo aos leitos dos hospitais de campanha, haviam plantas de arnica. Muitos pensavam se tratar apenas de um ornamento, porém a arnica tem poder antiséptico e purifica o ar ao seu redor.

Eis que uma fascinante descoberta agora inclui as libélulas entre os organismos que eliminam micróbios do ar!

Foi observado que as asas da libélula possuem, microscopicamente, um complexo sitema de pelos microscópicos que é capaz de capturar e eliminar diversos micróbios do ar por onde passa. As pequenas estruturas (nanopilares) perfuram os micróbios encontrados no ar e os prendem à sua superfície, drenando o líquido celular dos micróbios, assim eliminando-os. Como as libélulas batem as asas mais de 50 vezes por segundo, o ar ao seu redor é rapidamente filtrado.

Esse processo já é conhecido em outros insetos. Porém, o que chamou a atenção dos cientistas para a libélula é a forma como o processo de captura e perfuração da bactéria funciona nas asas desse inseto.

Normalmente, insetos podem ter uma espécie de cama de pregos na superfície da asa, onde as pontas de lança perfuram os micróbios quando ocorre a colisão, usando a inércia da asa e do corpo do micróbio colidindo como força de penetração.

Nas libélulas o processo é bem diferente. Primeiro o micróbio prende-se à superfície da asa da libélula, com alguma parte do corpo emaranhada na rede de nanopilares. Se o micróbio permanecer parado, nada lhe ocorrerá. No entanto se ele se mover, ocorrerá um rasgo em sua membrana, e seus fluidos serão absorvidos pela libélula. Alguns nanopilares da libélula são inclinados lateralmente para realizar essa função.

A ilustração abaixo, incluída no estudo e citada pela ACSH (American Council on Science and Health), compara como ocorre a eliminação de uma bactéria E. coli nas asas de uma cigarra (acima) e de uma libélula (abaixo).

Comparação entre o modelo atualmente aceito de como ocorre a eliminação de micróbios nas asas de cigarras, e como a nova teoria sobre as libélulas descreve processo semelhante. Ilustração : ACSH

 

A cigarra (cicada, em inglês) é outro inseto que também é estudado por possuir a característica bactericida em suas asas, e seu processo de captura de micróbios por meio das pontas de lança é mostrado acima.

A parte inferior da ilustração mostra a forma como a libélula captura e penetra o corpo dos micróbios. Os nanopilares da libélula perfuram a bactéria por ação lateral, rasgando sua membrana. Enquanto que as pontas de lanças da superfície da asa da cigarra perfuram o corpo do micróbio incisivamente.

Além de serem totalmente inofensivas ao ser humano, as libélulas são vorazes predadoras de mosquitos que podem nos trazer diversas doenças. E agora sabemos que também purificam o ar ao nosso redor. Logo, ao encontrar uma dessas amiguinhas por aí, trate-a com carinho!

 

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Foto: Alvesgaspar, Edited by Fir0002Obra do próprio / Wikipedia

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