O Google Drive estaria comparando certas assinaturas de arquivos para encontrar mídias piratas armazenadas em sua nuvem. Curiosamente, o Google não toma, imediatamente, qualquer medida legal contra quem possa ter programas, músicas ou filmes piratas armazenados no Drive. Eles simplesmente impedem o compartilhamento desses arquivos. Caso a conta proprietária de tais arquivos receba um certo número de denúncias, o usuário pode, então, ser banido do Google.

Segundo o Torrent Freak (TF), não há inteligência artificial ou machine learning envolvidos. O sistema funcionaria por meio de denúncias de outros usuários. Quando um arquivo compartilhado é denunciado, e o Google verifica tratar-se de material com direitos autorais, o compartilhamento é bloqueado.

Esse arquivo então tem a sua assinatura, ou hash code, armazenada em uma lista negra da pirataria que o Google mantém internamente.

Ao efetuar o upload de um novo arquivo, o Google então roda o algoritmo de hash code e cruza a informação com seu banco de dados interno. Caso a assinatura seja a mesma de um arquivo já denunciado, o usuário receberá a seguinte mensagem:

Usuários que tentam compartilhar arquivos que já foram marcados como pirataria, recebem esta mensagem do Google Drive.

No entanto, por algum motivo, o arquivo não é retirado da nuvem pelo Google. Eles apenas impedem que ocorra a propagação do material por meio de links de compartilhamento do Google Drive.

Ainda de acordo com o TF, o Google não responde a pedidos de detalhamento de seu sistema anti-pirataria, limitando-se a oferecer respostas automatizadas.

Tanto o Dropbox quanto o Youtube utilizam a mesma estratégia para detectar réplicas de conteúdos. Ambos retiram do ar ou bloqueiam contas de quem envia arquivos protegidos por direitos autorais.

O Temido DMCA

Vale lembrar que os Estados Unidos possuem a legislação de proteção aos direitos autorais mais rígida do mundo, a chamada lei DMCA (Digital Millenium Copyright Act) sancionada por Bill Clinton antes da virada do milênio. O assunto voltou à tona, pois um dos principais pontos da campanha de Donald Trump à presidência foi o combate à pirataria chinesa, assunto que promete gerar bastante controvérsia entre os dois países na era Trump.

Sistema Fácil de Ser Subvertido

Uma das características fundamentais das funções de hash code é que qualquer alteração no arquivo de origem deverá, necessariamente, gerar uma assinatura distinta. Esse é um dos motivos de haverem tantos vídeos piratas no Youtube – o sistema depende, fundamentalmente, de denúncias para poder identificar conteúdo ilegal. O leitor poderá obserar que materiais protegidos por direitos autorais são frequentemente editados para que o arquivo tenha uma assinatura digital distinta do material original.

Assim, há diversos filmes, e transmissões esportivas no Youtube que não são removidos, pois nunca foram encontrados pelos detentores dos direitos autorais.  Basta acrescentar uma marca d’agua ou qualquer detalhe à imagem para que o arquivo tenha uma assinatura totalmente diferente da original.  Para complicar ainda mais, não há relação entre a quantidade de modificações feitas ao conteúdo e eventuais diferenças no hash code ou assinatura digital do arquivo. Ou seja, por meio do hash não é possível saber se todo o material foi alterado ou apenas um quadro, assim torna-se complicado saber se o conteúdo se enquadraria nas cláusulas que permitem o uso restrito de materiais protegidos por direitos autorais (o chamado Fair Use, ou uso aceitável do material).

Talvez por isso o Google não adote uma postura mais contundente em relação a arquivos contidos no Google Drive: isso envolveria, necessariamente, o emprego de enormes equipes para vistoriar todo o conteúdo lá armazenado, o que possivelmente tornaria o sistema inviável.

Imagem em Destaque