Esta semana foi marcada pela divulgação de uma notícia preocupante: cientistas teriam cruzado um ser humano com um porco. E um órgão humano cresce dentro de um animal que será sacrificado para extraír-lhe o órgão quando totalmente desenvolvido.

Surgem diversas perguntas interessantes sobre essa experimentação, entre elas a mais importante é : quando será considerado que o animal deixou de ser um porco e tornou-se humano? Em outras palavras, se o porco carrega dentro de si órgãos humanos, seu extermínio para colher os órgãos não seria homicídio?

O nome do ser que se desenvolve com órgãos mistos é chimera. Desde a antiguidade, as chimeras são motivo de fascinação por parte da humanidade. Diversas esculturas e pinturas mitológicas mostram chimeras, cruzamentos de dragões e cavalos, sereias, e assim por diante. Porém, hoje estamos falando de chimeras feitas em laboratório e cujo propósito é salvar vidas.

As primeiras chimeras cientificamente desenvolvidas são de porcos que desenvolveram-se até 4 semanas de vida sem apresentar rejeição pelo órgão humano que dentro deles se desenvolvia.

Outro feito marcante é o fato de pulmões de porcos conseguirem filtrar sangue humano, conforme pode ser visto no seguinte video:

O sangue filtrado pelos pulmões suínos possui alto índice de oxigênio e baixo CO2, cumprindo assim a principal tarefa de nossos pulmões. Será que um dia serão transplantados pulmões de animais em seres humanos?

Patrocinar este tipo de pesquisa com dinheiro público é proibido nos Estados Unidos. Logo, os cientistas responsáveis por esses desenvolvimentos encontram-se trabalhando com doações individuais recebidas por meio de um programa do Salk Institute. O estudo é liderado pelo cientistas Jun Wu.

As chimeras são criadas da seguinte forma: o embrião do animal hospedeiro passa a receber injeções com DNA humano e células do órgão que desejamos replicar. Injetando o material aos poucos evita a rejeição pelo organismo hospedeiro, e permite o crescimento do órgão. Essa é a grande descoberta do presente estudo. No passado o órgão era enxertado no organismo já adulto, e a taxa de rejeição era enorme, impossibilitando o desenvolvimento de órgãos em organismos não humanos.

A lista de espera por doadores de órgãos cresce a cada dia, e esta descoberta promete salvar muitas vidas ao permitir que órgãos vitais sejam desenvolvidos e transplantados para os pacientes necessitados.

As questões éticas são incontáveis, e certamente haverá oposição por parte de grupos conservadores. No entanto, aqueles que possuem enfermidades irreversíveis e que podem ser salvos por esta tecnologia encontram-se esperançosos com a novidade.

Referência

National Geographic

 

Imagem em Destaque: Chimera de Jacek Malczewski. Pintura de 1906 mostra um monstruoso híbrido entre uma mulher e uma águia, que parece sofrer por ter assassinado o ser humano que jaz sobre ela. A pintura convida à reflexão: o que prevalesceu no momento em que matou o ser humano, seu lado águia, ou o lado humano? Vê-se no momento que o lado humano parece arrepender-se do feito. Mas teria ela sido capaz de controlar seu lado de rapina, e evitar o homicídio?

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