Em 2005 o então senador Eduardo Azeredo defendeu uma proposta de lei absolutamente indecente: identificar todos os usuários da Internet brasileira. Como ele faria isso? Tornando obrigatória a aquisição de cartões eCPF por todos que quisessem acessar a rede.

Cada eCPF custa R$ 300 por ano. Alguém ia ganhar muito dinheiro com isso.

O senador virou deputado, o deputado virou investigado, o investigado virou condenado mas o que nunca mudou foi a vorácia do Estado brasileiro no sentido de controlar a Internet.

Todos os dias surgem propostas para cercar o cidadão no seu exercício da livre expressão na Internet. O judiciário local de um estado do Nordeste derrubou o WhatsApp nacionalmente com uma canetada apenas. isso já mostra a fragilidade da defesa da livre expressão no Brasil. Com uma simples canetada tira-se do ar um meio de comunicação usado em todo o mundo.

Eis que, nesse contexto, o cidadão consciente tem mais uma preocupação para marcar em sua longa lista de maldades estatais.

Tem começado na Europa e nos Estados Unidos um movimento para implantar chips sob a pele de trabalhadores, de forma que possam ser facilmente localizadas.

A primeira justificativa utilizada foi que pessoas com Alzheimer podem esquecer-se de voltar para casa e o chip permitira seu retorno. Talvez mais perniciosa seja a inserção de tais chips em recém-nascidos, com a desculpa de fácil localização em caso de alguma eventualidade.

A verdade é que chips implantados sob a pele devem ser combatidos como as pragas são combatidas nas plantações: começando pela raíz.

Todo e qualquer rastreamento humano, volunario ou não, deve ser sumariamente proibido.  A proibição inviabilizaria que certos ambientes de trabalho obrigassem os usuários a usar tais implantes.

Em 2004 uma empresa chamada VeriChip iniciou suas atividades com grande sucesso nos EUA. Seus chips tinham 11mm quadrados, e utilizam a tecnologia RFID com alcance de alguns metros. Segundo a empresa seus chips rastreadores podem durar até 20 anos sob a pele, sem energização. Posteriormente surgiram chips com vínculo a sistemas GPS, o que eleva o absurdo a um novo patamar.

Na Suécia, um grupo de biohackers tem implantado entre si, voluntariamente, chips de RFID para garantir acesso a certas áreas do prédio em que vivem juntos. Segundo os jovens, o chip permite controlar as portas e outros eletrodomésticos. O que ocorre, então quando alguém rejeita a idéia? Simplesmente perde o acesso às coisas que se encontram interligadas dessa forma. Trata-se de um completo absurdo. Assim como as redes sociais já se tornaram “obrigatórias” na obtenção de emprego em algumas empresas, caso a sociedade não rejeite o chip sumariamente, muito em breve este se tornará obrigação também.

Há constantes críticas a programas desse tipo. A EFF, entidade sem fins lucrativos que defende as liberdades na era digital, questiona: “você encontrará seu filho facilmente. E o criminoso também. Você realmente quer que seus filhos sejam objetos rastreáveis por qualquer um de posse do equipamento certo?”. Leitores RFID são cada dia mais baratos e podem ser adquiridos em qualquer loja de informática.

O rastreamento de pessoas em tempo real é apenas questão de tempo. Os smartphonest já configuram um rastreador pessoal omnipresente. Porém um chip implantado sob a pele leva a idéia a um patamar para lá de Orwelliano.

Ilustração: Wikipedia

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