“Sorteio” no STF: “Sorte? Coincidência? Ou manipulação do sorteio por algoritmo?”

A coluna de hoje da jornalista Eliane Catenhede fala do “sorteio” do STF para a escolha do relator da Lava Jato:

Sem o preferido Celso de Mello, tudo e todos queriam Fachin. Aparentemente, até o software de sorteio eletrônico.

E prossegue:

Sorte? Coincidência? Ou manipulação do sorteio por algoritmo? Antes do sorteio [sic], o Supremo destacou três altos técnicos para explicar a repórteres como funciona o sistema. Durante, Cármen Lúcia fiscalizou pessoalmente com três assessores. E, depois, o tribunal avisou que, em junho, haverá uma auditoria externa para verificar a lisura.

Recomenda-se a leitura da coluna completa, pois é um registro do quanto tudo está avacalhado no Brasil atual. A coluna é uma sutil chacota com todo o processo de escolha do ministro Fachin para relatar a Lava Jato.

Em qualquer país sério, a morte do ministro Teori, e como foi feita essa escolha para o novo relator, seriam motivos para um profundo debate nacional.

Mas estamos no Brasil, onde 56 pessoas foram decapitadas no pátio de uma prisão do Amazonas e ninguém mais sequer fala no assunto. Quanto mais preocupar-se com sistema de algoritmo da rebimboca da parafuzeta do STF? Escolheram alguém e pronto!

É isso que está nas entrelinhas de tudo que estamos vendo e lendo na imprensa: o sistema está tão avacalhado, que não ligam mais para esses “meros detalhes”.

Sobre a Ministra Carmem Lúcia ir até o sistema para fiscalizá-lo, isso nos remete à ocasião em que o ministro Toffoli, então no TSE, compareceu à cerimônia de instalação do software das urnas eletrônicas, logo antes das eleições de 2014, para “certificar-se de que o software está perfeito”. O poder público do Brasil realmente brinca com a inteligência de seu povo.

Como se, diante de um virus de computador escrito em linguagem de máquina, o ministro Toffoli fosse ser capaz de identificá-lo. É a teleocriptologia hermenêutica tupiniquim.

O Brasil é mesmo uma brincadeira, não fosse o povo pagando 40% do PIB em impostos, e a gasolina mais cara das Américas, seria até engraçado observar tanta presepagem que acontece no poder público. Não fossem os fiscais que vem nos cobrar tão sérios, e as multas tão severas, não fossem os hospitais públicos tão indecentes, e as escolas tão largadas, tudo isso seria até engraçado.

Há, ainda, uma frase na referida coluna que merece destaque: “E, depois, o tribunal avisou que, em junho, haverá uma auditoria externa para verificar a lisura”

Uma “auditoria externa” anunciada com QUATRO MESES DE ANTECEDÊNCIA? Por que não amanhã? Por que não hoje? Não é para, supostamente, mostrarem a “lisura” do processo que aconteceu ONTEM? Por que precisam de 4 meses de antecedência?

Tenham dó de nós! Dispensem-nos dessa “auditoria” que vai “explicar” esse “sorteio”! Apenas façam o que já está combinado e parem de debochar do povo. Ninguém está nem aí, ninguém vai às ruas por isso, nem por fatos muito mais graves.

O senador Renan Calheiros optou por não acatar a ordem de um ministro do STF, e ninguém fez nada. Sinceramente acham que o povo brasileiro está preocupado com algoritmos?

Foto: Cayo César dos Santos Gomes

 

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